Por que os cookies da web se chamam assim: a origem no Unix
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Por que os cookies da web se chamam assim: a origem no Unix

Em julho de 1994, o engenheiro Lou Montulli, da Netscape, foi chamado para resolver um problema aparentemente simples: um time da empresa queria montar um carrinho de compras para uma loja virtual, mas o protocolo HTTP não tinha como “lembrar” quem era quem entre um clique e outro. A solução que ele desenhou naquela semana existe até hoje em praticamente todo site do planeta — e o nome que ele deu a ela, “cookie”, não tem nada a ver com biscoito.

O problema: um protocolo sem memória

O HTTP foi projetado para ser rápido e descartável: o navegador conecta, pega o documento, desconecta. Isso é ótimo para liberar o servidor rapidamente, mas significa que cada requisição chega como se fosse de um estranho. Sem alguma forma de identificação, um site não conseguia saber que o clique na página 2 veio da mesma pessoa que clicou na página 1 — inviabilizando qualquer carrinho de compras, login ou preferência salva.

Havia propostas rodando pelos grupos de design da web desde 1992 ou 1993, a maioria girando em torno de dar um identificador único e fixo a cada navegador. Montulli era contra: um identificador fixo permitiria rastrear o usuário em qualquer site que o adotasse. Ele queria algo que desse memória à navegação sem abrir uma porta de rastreamento cruzado.

De onde veio o nome

A peça que faltava já existia havia 15 anos, só que em outro contexto. Desde 1979, programadores Unix usavam o termo “magic cookie” para descrever um pequeno pacote de dados opaco que um programa passava para outro, sem que o programa que recebia precisasse entender o conteúdo — só devolvê-lo intacto quando solicitado. Montulli tinha ouvido a expressão numa disciplina de sistemas operacionais na faculdade e achou que o conceito combinava com o que estava construindo: o navegador guardaria um pacote de dados do servidor e devolveria esse mesmo pacote a cada requisição, sem alterá-lo. Segundo o próprio Montulli, o nome “cookie” foi escolhido por razões estéticas — foi a primeira palavra que lhe ocorreu, e pegou. Até hoje, mesmo ele reconhece que a origem exata de por que “magic cookie” virou o nome do conceito no Unix continua incerta.

A especificação, escrita com o colega John Giannandrea, foi lançada com o Netscape 0.9beta em outubro de 1994 e define até hoje cerca de 95% do que um cookie faz: o servidor manda um pacote de dados, o navegador guarda e devolve esse pacote em cada nova requisição ao mesmo domínio.

Por que isso ainda importa

O mecanismo que resolveu um carrinho de compras em 1994 hoje sustenta login, sessão, carrinho, preferência de idioma — e também o rastreamento publicitário que motiva banners de consentimento e leis como a LGPD e o GDPR. O próprio Montulli reconhece isso: ele foi quem, anos depois, decidiu manter os cookies de terceiros ativos por padrão no Netscape, uma escolha de design que moldou boa parte da economia de anúncios da web como ela é hoje. Trinta anos depois, a estrutura básica do cookie não mudou — só o debate em torno dele.

Da próxima vez que um banner pedir para aceitar cookies, vale lembrar: o nome veio de um curso de sistemas operacionais, não de confeitaria.

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