O primeiro mouse de computador era feito de madeira
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O primeiro mouse de computador era feito de madeira

O primeiro mouse de computador era uma caixinha de madeira com um botão em cima e duas rodas de metal embaixo. Foi construído em 1964 por Bill English, então engenheiro-chefe do laboratório de Douglas Engelbart no Stanford Research Institute (SRI), a partir dos esboços que Engelbart vinha desenhando desde o início da década.

Como o bloco de madeira funcionava

A engenharia era mecânica e engenhosa. Sob a caixa havia duas rodas perpendiculares entre si, uma para o eixo X e outra para o eixo Y. Ao empurrar o dispositivo pela mesa, uma das rodas girava e a outra deslizava de lado; potenciômetros acoplados a cada eixo convertiam a rotação em variação de tensão, e essa tensão virava a posição do cursor na tela.

Todo o vocabulário que usamos até hoje já estava ali: movimento relativo, dois eixos independentes e um botão para selecionar. A esfera de borracha só chegaria depois, com Bill English já na Xerox PARC, e o sensor óptico décadas mais tarde. O princípio de traduzir deslocamento em coordenadas, não.

O nome pegou dentro do próprio laboratório: com o cabo saindo pela traseira, o objeto lembrava um rato com rabo. Engelbart contava que ninguém no grupo se lembrava de quem falou “mouse” primeiro, e o apelido provisório acabou virando o nome definitivo.

A patente que expirou antes da festa

O pedido foi depositado em 1967 e concedido em 1970, com o título burocrático de X-Y Position Indicator for a Display System — patente US 3.541.541, em nome de Douglas Engelbart. Em nenhum lugar do documento aparece a palavra “mouse”.

Aqui está a parte ingrata da história. A patente pertencia ao SRI, não ao inventor, e expirou nos anos 1980, exatamente na virada em que o mouse começou a se popularizar. Engelbart nunca recebeu royalties pela invenção. Relatos da época indicam que o SRI licenciou a tecnologia para a Apple por algo em torno de US$ 40 mil — valor que, em retrospecto, é uma nota de rodapé diante do que o dispositivo se tornou.

A demo de 1968

O mouse apareceu em público em 9 de dezembro de 1968, na Fall Joint Computer Conference, em São Francisco. Engelbart conduziu uma apresentação de 90 minutos que a história batizou de “a mãe de todas as demos”.

Em uma única sessão ele demonstrou, funcionando: edição colaborativa de texto em tempo real, hipertexto com links navegáveis, videoconferência com a equipe que estava a 50 km dali, controle por janelas e o mouse movendo o cursor. Em 1968, quando computação ainda significava para a maioria submeter um lote de cartões perfurados e esperar o resultado no dia seguinte.

Dezessete anos até a prateleira

Entre o protótipo de madeira e o primeiro produto comercial relevante passaram-se quase duas décadas. O Xerox Alto, de 1973, usava mouse mas nunca foi vendido — era máquina interna de pesquisa. O Xerox Star 8010, de 1981, foi o primeiro sistema comercial com mouse e interface gráfica; caríssimo e de vendas modestas. A adoção real veio com o Apple Lisa, em 1983, e principalmente com o Macintosh, em 1984, vinte anos depois do bloco de madeira.

A distância entre a invenção e o uso em massa não foi falha de engenharia. Faltava o resto: tela gráfica com resolução suficiente, memória barata para manter a imagem, processador que desse conta de redesenhar a tela e um sistema operacional pensado para apontar em vez de digitar comandos. O mouse estava pronto muito antes do computador que precisava dele.

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