RJ45: por que o conector do cabo de rede não é bem um RJ45
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RJ45: por que o conector do cabo de rede não é bem um RJ45

Todo profissional de redes usa o termo “RJ45” dezenas de vezes por semana — no crimpador, no switch, na etiqueta do patch panel. Mas o conector de 8 vias que crava a ponta do cabo de rede não é, tecnicamente, um RJ45. É um engano de mais de 40 anos que a indústria nunca corrigiu, porque não precisava.

De onde vem a sigla

“RJ” significa Registered Jack (algo como “tomada registrada”). A designação nasceu no sistema Bell, nos Estados Unidos, dentro do esquema USOC (Universal Service Ordering Code) dos anos 1970, criado para padronizar as interfaces de telefone depois da decisão Carterfone de 1968 da FCC — que obrigou a rede telefônica a aceitar equipamentos de terceiros, não só os fabricados pela própria Bell. Em 1976 a FCC formalizou essas interfaces na regra Part 68, e cada modelo de tomada ganhou um número: RJ11 para uma linha telefônica, RJ14 para duas, RJ25 para três.

O RJ45 fazia parte dessa lista, mas não tinha nada a ver com rede de computadores. Era — e ainda é, na especificação original — um conector chaveado, com uma saliência plástica lateral, usado para linhas de dados telefônicos, como conexões de modem em tronco duplo.

Por que o nome ficou

O conector que hoje crava cada cabo de rede do planeta é um 8P8C: 8 posições, 8 contatos, sem chave, padronizado depois pelas normas TIA/EIA-568 de cabeamento estruturado. Ele se parece com o RJ45 telefônico — os dois têm 8 vias — e foi aproveitado quando a indústria de dados passou a rodar Ethernet sobre par trançado nos anos 1980 e 1990. O nome do parente telefônico colou no conector novo e nunca mais saiu.

A diferença não é só semântica. Um plugue RJ45 chaveado de verdade não entra numa tomada 8P8C comum, a menos que alguém corte a lingueta plástica. Já o plugue 8P8C que qualquer técnico crimpa todo dia entra sem problema numa tomada RJ45 telefônica original — a compatibilidade só funciona em um sentido.

Por que isso importa hoje

Na prática, ninguém vai deixar de chamar o conector de RJ45 — é o termo que aparece na embalagem do crimpador, no datasheet do switch e até nas normas da TIA para cabeamento Categoria 8. Mas vale saber a origem na próxima vez que alguém perguntar “por que 45?”: não é um número técnico do padrão Ethernet, é um resquício de catálogo telefônico da Bell dos anos 1970 que a indústria de TI herdou e nunca devolveu.

É o tipo de detalhe que não muda instalação nenhuma, mas explica por que a terminologia de rede às vezes soa mais telefônica do que deveria — porque, historicamente, era.

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