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China conclui data center de IA de 1 gigawatt usando só chips nacionais

A empresa chinesa de inteligência artificial Z.AI concluíu e começou a operar parcialmente um data center de 1 gigawatt (GW) construído inteiramente com chips fabricados na China, segundo reportagem da Bloomberg publicada em 21 de julho de 2026. É o primeiro caso divulgado de uma grande empresa de tecnologia chinesa erguendo uma infraestrutura desse porte sem depender de semicondutores estrangeiros, especialmente da Nvidia.

Um data center só com chips domésticos

De acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg, a instalação usa mais de 10 mil chips de IA fabricados na China e foi projetada para treinar a família de modelos de linguagem GLM da Z.AI. Um gigawatt de capacidade elétrica é suficiente para abastecer simultaneamente cerca de 750 mil residências, o que dá a dimensão do porte da instalação. Localização exata e valor do investimento não foram divulgados.

Segundo o Seoul Economic Daily, esse é o maior data center já construído por uma empresa chinesa de IA até agora, superando um projeto de 10 mil chips anunciado pela Alibaba em abril, em Guangdong, que ainda não foi concluído.

Software para unir chips de fornecedores diferentes

No mesmo dia do anúncio, a Z.AI também confirmou a conclusão da aquisição da Zhongke Jiahe, startup chinesa de infraestrutura e software de IA fundada por pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências. A tecnologia da Zhongke Jiahe permite rodar o mesmo modelo de IA de forma eficiente em chips de fornecedores diferentes, como Huawei e Cambricon, o que ajuda a Z.AI a não depender de um único fabricante dentro do próprio data center.

Nenhuma das duas empresas confirmou publicamente quais chips exatos estão instalados na unidade, nem qual fatia da capacidade projetada de 1GW já está efetivamente em operação.

Parte de um plano nacional bilionário

O projeto se encaixa em um movimento mais amplo da China para reduzir a dependência de semicondutores estrangeiros. O país planeja investir cerca de 2 trilhões de yuans (por volta de US$ 295 bilhões) nos próximos cinco anos para expandir uma rede nacional de data centers voltados à IA. Em novembro de 2025, o governo chinês já havia publicado diretrizes exigindo o uso de chips de IA fabricados no país em novos data centers financiados pelo Estado.

Fabricantes locais como Huawei e Cambricon competem para reduzir a distância de desempenho em relação às GPUs da Nvidia, que ainda domina o fornecimento global de aceleradores avançados de IA. Estimativas do setor apontam que fabricantes chineses responderam por cerca de 41% dos aceleradores de IA usados no país em 2025.

Contexto: pressão da concorrência

O anúncio também aconteceu em meio a uma disputa acirrada entre startups chinesas de IA. Dias antes, a Moonshot AI lançou o modelo Kimi K3, com desempenho comparado ao de modelos como Claude e ChatGPT, o que derrubou as ações da Z.AI em cerca de 40% na bolsa de Hong Kong em dois dias. Após a notícia da conclusão do data center, os papéis da empresa chegaram a subir até 31% em um único pregão. A Z.AI afirma já ter atingido, ainda em julho, sua meta de receita recorrente anual próxima de US$ 1 bilhão para 2026.

Por que isso importa

Ainda faltam confirmações independentes sobre desempenho real dos chips, eficiência energética e throughput sustentado de treinamento. Número de chips instalados e capacidade elétrica projetada dizem pouco, sozinhos, sobre a performance efetiva da infraestrutura. Ainda assim, o caso mostra que a estratégia chinesa de substituir hardware estrangeiro por semicondutores nacionais em infraestrutura de IA em larga escala está saindo do papel, com implicações diretas para a cadeia global de fornecimento de chips e para empresas como a Nvidia, que ainda domina o mercado de aceleradores mais avançados.

Fontes: Bloomberg, Seoul Economic Daily, Winbuzzer.

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