O primeiro HD do mundo pesava mais de uma tonelada
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O primeiro HD do mundo pesava mais de uma tonelada

Um SSD de 4 TB de hoje pesa menos de 50 gramas e cabe no bolso. Em 1956, a IBM lançou o primeiro disco rígido comercial do mundo — e ele pesava mais de uma tonelada, ocupava um cômodo inteiro e guardava só 5 milhões de caracteres, o equivalente a algumas fotos de celular em resolução baixa.

A máquina que precisava de guindaste

O IBM 350 Disk Storage Unit foi o coração do sistema IBM 305 RAMAC (Random Access Method of Accounting and Control), anunciado publicamente em setembro de 1956 e já em teste na Marinha dos EUA e em empresas privadas. Por dentro, 50 discos magnéticos de 24 polegadas de diâmetro giravam empilhados em um único eixo a 1.200 RPM, com dois braços de leitura e gravação se movendo entre eles sob controle servo — a mesma lógica mecânica, em essência, que os HDs usaram até a era dos SSDs.

A unidade de disco sozinha ocupava cerca de 1,5 m² de área, mas o sistema completo — computador, drive e compressor de ar necessário para sustentar os cabeçotes de leitura — pesava mais de uma tonelada e precisava ser deslocado com empilhadeira e transportado em aviões cargueiros. A capacidade era de cerca de 5 milhões de caracteres (entre 3,75 MB e 5 MB, dependendo de como cada fonte conta os bits de paridade por caractere), o suficiente para substituir 64 mil cartões perfurados. O tempo médio para localizar um registro era de cerca de 600 milissegundos.

A IBM nunca vendeu o RAMAC — só alugava. O sistema completo custava por volta de US$ 3.200 por mês, algo como US$ 35 mil em valores corrigidos para hoje. Mais de mil unidades foram construídas antes da produção parar em 1961.

Por que isso importa hoje

O RAMAC não foi só o primeiro HD — foi a prova de que dava para abandonar o acesso sequencial de fitas e cartões perfurados em favor do acesso aleatório direto a qualquer registro, o “Random Access” que dá nome ao sistema. Esse salto conceitual é o que sustenta, até hoje, bancos de dados, sistemas de arquivos e qualquer storage que responda a uma consulta sem precisar varrer tudo desde o início. Cada HD, SSD ou array RAID que roda num data center atual é neto direto dessa lógica, ainda que a mecânica de discos girando tenha dado lugar à memória flash.

A IBM, aliás, quase não lançou uma versão com mais capacidade: segundo relatos de engenheiros da época, o marketing da empresa temia não saber vender um drive maior — um lembrete de que limitação técnica nem sempre é o que trava o avanço da infraestrutura.

Conclusão

Setenta anos depois, a distância entre uma tonelada guardando 5 MB e um cartão microSD guardando um milhão de vezes mais é a medida mais direta de quanto a engenharia de armazenamento andou — e de que o próximo salto provavelmente vai parecer, de novo, impossível de prever a partir de onde estamos agora.

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