Vulnerabilidade crítica no Ray está sob exploração ativa
A CISA (Cybersecurity and Infrastructure Security Agency, dos EUA) confirmou nesta segunda-feira (17/08) a exploração ativa da CVE-2025-62593, uma falha crítica (CVSS 9.4) no Ray, framework Python de código aberto usado para escalar cargas de treinamento e inferência de IA em clusters distribuídos. A falha permite execução remota de código via navegador, através de um ataque de DNS rebinding contra instâncias do Ray acessíveis a partir da máquina da vítima.
O que é a CVE-2025-62593
O Ray é mantido pelo Ray Project (Anyscale) e soma mais de 43.500 estrelas e 7.900 forks no GitHub — uma das ferramentas mais usadas para orquestrar treinamento distribuído de modelos de IA em clusters com GPU. O problema está nos endpoints /api/jobs e /api/job_agent/jobs/, que o time de desenvolvimento do Ray nunca implementou com autenticação.
Um atacante manipula o cabeçalho User-Agent do navegador e combina isso com DNS rebinding para burlar as proteções de origem do Firefox e do Safari. Se um desenvolvedor com uma instância Ray rodando visita um site malicioso — ou é servido um anúncio comprometido — o navegador vira intermediário e executa código arbitrário na máquina. A mesma técnica também alcança instâncias de Ray em redes corporativas adjacentes, usando o navegador como um “confused deputy” para atravessar o perímetro.
Quem está em risco
A falha atinge sobretudo ambientes de desenvolvimento e teste do Ray. Não é preciso que o painel esteja exposto à internet pública: basta a máquina do desenvolvedor acessar um site malicioso enquanto o processo Ray está ativo localmente ou na rede. Segundo a Oligo Security, instâncias Ray sem correção também vêm sendo alvo direto de uma campanha batizada de ShadowRay 2.0, que sequestra clusters com GPUs NVIDIA e os transforma em uma botnet de mineração de criptomoeda autorreplicante.
Um relatório da BitSight de março de 2026 já apontava que o botnet de DDoS RondoDox havia incorporado essa vulnerabilidade ao seu arsenal dois dias antes da divulgação pública, em 26 de novembro de 2025 — o grupo se antecipou porque uma prova de conceito (PoC) já circulava.
Como se proteger
- Atualize para o Ray 2.52.0 ou superior, versão que corrige a falha.
- Nunca exponha o painel do Ray (dashboard, portas de job) diretamente à internet; restrinja o acesso a VPN ou rede interna segmentada.
- Em ambientes de desenvolvimento, evite manter o Ray ativo em segundo plano enquanto navega em sites não confiáveis.
- Monitore uso anômalo de GPU nos clusters — picos de consumo sem job correspondente são indício de mineração não autorizada.
- Agências federais dos EUA (FCEB) têm prazo até 20 de agosto de 2026 para aplicar a correção; use essa data como referência de urgência mesmo fora do governo.
Perguntas frequentes
O que é a CVE-2025-62593?
É uma vulnerabilidade crítica (CVSS 9.4) no Ray, framework de computação distribuída para IA, que permite execução remota de código via navegador através de DNS rebinding.
Quais navegadores são usados no ataque?
Firefox e Safari, por meio da manipulação do cabeçalho User-Agent combinada com DNS rebinding.
Preciso expor o Ray à internet para ser afetado?
Não necessariamente. O vetor típico é um desenvolvedor rodando o Ray localmente que visita um site malicioso ou é servido um anúncio comprometido.
Qual versão corrige a falha?
O Ray 2.52.0 endereça a CVE-2025-62593.
Existe exploração confirmada em massa?
A CISA não detalhou como a exploração ocorre, mas a Oligo Security associa instâncias vulneráveis à campanha de cryptojacking ShadowRay 2.0, que já mirava clusters com GPU NVIDIA.
Conclusão
A CVE-2025-62593 reforça um padrão que já apareceu antes no próprio Ray: endpoints sem autenticação em ferramentas de infraestrutura de IA viram alvo assim que ganham adoção. Quem mantém clusters Ray — sobretudo com GPUs caras rodando treinamento — deve tratar a atualização para 2.52.0 e a segmentação de rede como prioridade imediata, não como item de backlog.