Por que 1GB no HD é diferente de 1GB no Windows
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Por que 1GB no HD é diferente de 1GB no Windows

Um HD de 1 TB aparece no Windows como 931 GB. Não falta espaço, não há defeito e ninguém está mentindo no rótulo: fabricante e sistema operacional estão contando em bases diferentes, e os dois chamam o resultado de “GB”.

Duas contas, o mesmo nome

O fabricante de disco usa o padrão decimal do SI, em que cada prefixo multiplica por 1.000:

  • 1 KB = 1.000 bytes
  • 1 MB = 1.000.000 de bytes
  • 1 GB = 1.000.000.000 de bytes
  • 1 TB = 1.000.000.000.000 de bytes

O Windows divide por potências de 2, porque é assim que memória e endereçamento funcionam:

  • 1 KiB = 1.024 bytes
  • 1 MiB = 1.048.576 bytes
  • 1 GiB = 1.073.741.824 bytes
  • 1 TiB = 1.099.511.627.776 bytes

O problema não é usar base 2. É escrever “GB” quando o cálculo é de GiB. O disco de 1 TB tem, de fato, um trilhão de bytes. Dividido por 1.073.741.824, dá 931,32 — e o explorador de arquivos mostra “931 GB” como se fosse a mesma unidade do rótulo.

A diferença cresce com a capacidade

Como o descompasso entre 1.000 e 1.024 se acumula a cada prefixo, a “perda” aparente aumenta conforme o disco cresce:

  • No nível do quilo: 2,4% menor
  • No nível do mega: 4,6% menor
  • No nível do giga: 6,9% menor
  • No nível do tera: 9,1% menor

Por isso a reclamação ficou mais comum com o tempo. Num disquete de 1,44 MB a diferença passava despercebida; num RAID de 100 TB brutos, ela representa mais de 9 TB de discrepância entre a nota fiscal e o que o sistema informa. Quem dimensiona armazenamento precisa saber em qual das duas unidades o cálculo foi feito, sob pena de errar a capacidade planejada por quase um décimo.

A norma existe desde 1998 — e quase ninguém segue

A ambiguidade foi resolvida formalmente pela IEC, que em 1998 publicou os prefixos binários na norma IEC 60027-2, hoje incorporados à IEC 80000-13: kibi (Ki), mebi (Mi), gibi (Gi), tebi (Ti). A regra é simples — se dividiu por 1.024, escreva KiB, MiB, GiB.

Na prática, a adoção foi desigual:

  • Windows: calcula em base 2 e rotula “GB”. É a origem da confusão.
  • macOS: desde a versão 10.6, de 2009, calcula em base 10. O disco de 1 TB aparece como 1 TB, coerente com o rótulo.
  • Linux: depende do comando. df -h e ls -lh usam base 2; df -H ou --si usam base 10. Ferramentas mais recentes já exibem “GiB” corretamente.

Onde a base 2 é a resposta certa

Vale a distinção: em memória RAM, base 2 não é convenção, é consequência física. A quantidade de endereços acessíveis é potência de 2 pelo número de linhas de endereço do barramento, então um pente de “8 GB” tem mesmo 8 GiB — 8.589.934.592 bytes. Aqui o rótulo e a conta coincidem.

Disco não tem essa restrição: setores são endereçados logicamente, e nada obriga a capacidade a ser potência de 2. Por isso o fabricante pode fatiar o produto em números redondos decimais.

Uma observação para não confundir os efeitos: além da diferença de base, o espaço utilizável cai um pouco mais por causa da formatação — tabela de alocação, journal e metadados do sistema de arquivos ocupam espaço real. É um desconto adicional, na casa de 1% a 2% dependendo do sistema de arquivos, e não deve ser somado à explicação das unidades.

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