A origem da palavra byte: por que ela tem Y, não I
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A origem da palavra byte: por que ela tem Y, não I

Em junho de 1956, o engenheiro Werner Buchholz, da IBM, precisava de uma palavra para descrever o menor bloco de dados que o supercomputador em desenvolvimento — o projeto Stretch, que viraria o IBM 7030 — conseguia processar de uma vez. A palavra óbvia seria “bite” (mordida, em inglês). Buchholz trocou o “i” por um “y” de propósito, e assim nasceu “byte”.

Por que a grafia com Y

A troca não foi estética. Em anotações técnicas datilografadas e memorandos internos, “bite” ficava perigosamente parecido com “bit” — a unidade de um único dígito binário — bastando um erro de digitação ou uma letra borrada para trocar um pelo outro. Buchholz registrou a mudança em um memorando interno da IBM sobre o Stretch, hoje preservado nos arquivos do Computer History Museum, justamente para evitar essa confusão em documentação técnica.

De 1 a 6 bits até virar 8 fixos

O byte do Stretch não tinha tamanho fixo: podia variar de 1 a 6 bits, dependendo da instrução. Só ganhou o tamanho que conhecemos hoje oito anos depois, em abril de 1964, quando a IBM lançou o System/360 e padronizou o byte de 8 bits para unificar as cinco linhas de computadores incompatíveis que a empresa vendia até então. Foi essa decisão — motivada por engenharia de produto, não por elegância matemática — que fixou o byte de 8 bits como padrão da indústria até hoje.

Por que a internet evita a palavra “byte”

Aqui entra o motivo pelo qual isso ainda importa para quem trabalha com redes. Como o tamanho do byte variou por décadas entre fabricantes — havia arquiteturas com bytes de 6, 7 e 9 bits em uso comercial —, os autores dos primeiros protocolos de internet não podiam assumir que “byte” significasse a mesma coisa em toda máquina conectada à rede. A solução foi adotar o termo “octeto” para designar, sem ambiguidade, um grupo de exatamente 8 bits. O termo aparece em RFCs desde o início dos anos 1970 — RFC 635, de 1974, é um dos primeiros registros formais — e por isso especificações como IP, TCP e boa parte das RFCs atuais até hoje dizem “octeto” em vez de “byte” em qualquer trecho que descreva o formato de um pacote.

Da próxima vez que um RFC ou uma especificação de protocolo disser “octeto” em vez de “byte”, a explicação não é purismo: é uma palavra escolhida décadas atrás para sobreviver a hardware que já não existe mais.

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