A origem do nome Ethernet: uma física que nunca existiu
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A origem do nome Ethernet: uma física que nunca existiu

Toda rede local do planeta roda sobre uma tecnologia batizada em homenagem a algo que nunca existiu: o éter luminífero. Em 22 de maio de 1973, o engenheiro Robert Metcalfe assinou, na Xerox PARC, o memorando que oficializou o nome “Ethernet” — mais de cinco décadas depois, o termo ainda nomeia o padrão que conecta praticamente todo data center do mundo, mesmo com a física que o inspirou tendo sido desmentida antes de a internet existir.

Da Alto Aloha Network ao Ether

O projeto de Metcalfe nasceu em 1972 na Xerox PARC com outro nome: Alto Aloha Network. A referência dupla vinha do Alto, o computador pessoal experimental da Xerox, e da ALOHAnet, a rede de rádio da Universidade do Havaí cujo método de acesso ao meio compartilhado inspirou o protocolo. No memorando de maio de 1973, Metcalfe argumentou que o nome tinha ficado pequeno: a tecnologia não dependia só do Alto, nem só de rádio, e precisava de um nome que descrevesse o papel do cabo coaxial como meio físico compartilhado por todas as estações da rede.

O éter que a física já tinha descartado

A escolha recaiu sobre “ether” — éter, em português. No século 19, físicos acreditavam que a luz e as ondas eletromagnéticas precisavam de um meio invisível para se propagar pelo espaço, batizado de éter luminífero. O experimento de Michelson-Morley, em 1887, não encontrou nenhum vestígio dele, e a teoria da relatividade de Einstein, em 1905, tornou o conceito desnecessário. Metcalfe conhecia essa história e usou o termo de propósito: queria um nome para descrever “um meio passivo e onipresente” que carregava os dados da rede, independentemente de qual tecnologia física — cabo coaxial, par trançado, fibra óptica ou rádio — estivesse por trás dela num dado momento.

Por que isso importa hoje

O Ethernet só saiu do papel para operar de fato em 11 de novembro de 1973, ligando computadores dentro do prédio da PARC a 2,94 Mbps. Dez anos depois, em 1983, virou padrão formal IEEE 802.3, rodando a 10 Mbps. Hoje, a mesma marca batiza conexões de até 800 Gb/s em data centers de hiperescala, com o padrão seguinte, de 1,6 Tb/s, já em desenvolvimento pelo grupo de trabalho IEEE 802.3. O nome sobreviveu a todas essas trocas de meio físico exatamente porque Metcalfe o desenhou, desde o início, para não estar preso a nenhuma tecnologia específica de cabo.

Conclusão

A física que inspirou o nome Ethernet estava errada. A ideia por trás dela — um meio de transporte de dados agnóstico à tecnologia — acertou em cheio, e é por isso que o nome resistiu meio século enquanto dezenas de outros padrões de rede desapareceram.

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